Como as instituições de ensino estão enfrentando a crise

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A crise econômica que o país vem enfrentando tem atingido aos mais diversos setores, e as instituições de ensino privadas estão a cada dia mais sofrendo as consequências da evasão de alunos e da inadimplência das mensalidades.

As instituições de ensino básico

Com o agravamento da crise, alguns estabelecimentos de ensino têm passado por maus momentos, até mesmo com o risco de fecharem suas portas. Alguns, como saída para não encerrarem suas atividades, recorrem a empréstimos, com juros elevados. Porém, as escolas têm, além da estratégia de corte de gastos e ofertas para atração de novas matrículas, o direito assegurado por lei, de negar a matrícula de alunos inadimplentes. A retenção de provas e documentação desses alunos, que garantam a sua transferência é proibida por lei, mas a negação da renovação dessas matrículas é garantida pela legislação. É uma forma que as escolas se prevenirem da inadimplência, porém, esforços de negociação e o diálogo, objetivando a manutenção do estudante, não devem ser descartados.

Outra expectativa é quanto ao reajuste das mensalidades. As instituições têm até o próximo dia 30 de outubro para publicar seus reajustes para o próximo ano letivo. Segundo os especialistas, o momento é de não exagerar, para não afastar novas matrículas ou mesmo provocar evasão. O cálculo deve prever gastos básicos como os custos de manutenção, pagamento de funcionários e professores.

Reajustar com base na inflação, como forma de “repassar a crise para os clientes”, pode não ser a estratégia ideal. Algumas instituições, como forma de driblar a crise, tem optado pela terceirização de funcionários e até mesmo de professores, como forma de diminuir suas despesas com encargos trabalhistas por exemplo, mas o que parece ser um bom negócio pode afastar novas matrículas. Por exemplo, um pai que percebe que a escola está investindo pouco na qualificação do seu corpo docente e apresenta alta rotatividade em seus quadros, e que não criam vínculos com os alunos, opta facilmente pela retirada do aluno da escola.

O momento, segundo os especialistas é de precaução. Cortes nos gastos são necessários, mas deixar de investir em qualidade de ensino, ou ainda, transferir os custos da crise para os responsáveis dos alunos não é um caminho seguro. O momento atual pode ser uma oportunidade de, com criatividade, agregar valor aos serviços prestados, criando diferenciais competitivos.

As instituições superiores

Um fator que atingiu gravemente as instituições de ensino superior privadas no Brasil, foi a redução de recursos destinados pelo Governo Federal para o programa de financiamento estudantil (FIES). Com a restrição de alguns cursos ao financiamento, algumas faculdades aprovadas acabaram perdendo boa parte das suas vagas. Agora, com a escassez de verbas e de novos alunos, algumas faculdades estão inclusive, ameaçadas de extinção.

Mas esta não é a realidade de algumas instituições de ensino. Grupos educacionais como Kroton e Estácio estão registrando aumento de suas receitas. A Kroton por exemplo, fechou o primeiro trimestre deste ano com um aumento de receita de 6% e um lucro de +14,8% na comparação com o mesmo período do ano passado. O que essas instituições fazem de diferente para vencer a crise? (Fonte: Revista Brasil Econômico 13/05/2015). O segredo, segundo as empresas, é além de medidas básicas, como controle rígido de custos e despesas, são as novas formas de financiamento estudantil privado.

O grupo estudantil Kroton, fechou parceria com a Anhanguera e a Estácio fechou parceria com a Ideal Invest, responsável pela Ideal Invest, programa de crédito universitário privado. Outro grande grupo educacional, a Ser Educacional também fechou parceria com a Ideal Invest. Essas instituições oferecem formas de pagamento como o pagamento escalonado: a instituição pagaria o que seria cobrado de juros dos alunos, através de empréstimos concedidos pelas financeiras, e os alunos pagam a mensalidade, de forma escalonada, e também os encargos gerados pela inflação.

Mesmo dos estudantes que não chegaram ao índice mínimo no Enem, para conseguir o financiamento pelo Governo Federal. Segundo as instituições, as parcerias proporcionam melhores chances de oferecer financiamentos aos estudantes, o que atrai mais matrículas e também é uma forma de manter os estudantes que estejam passando por alguma dificuldade financeira. Com a oportunidade de rever seus débitos e fazer um parcelamento através dessas financeiras. Dessa forma, as instituições conseguem ganhar dos dois lados: com os estudantes que ainda as procuram através do Fies, e com os que procuram o financiamento privado, oferecido pelas parcerias dos grupos estudantis. É a criatividade superando a crise financeira.


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