Avaliações como instrumentos de aprendizado

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A avaliação escolar tradicionalista, tem um caráter quantitativo alto. A maior parte das escolas utiliza-se dos instrumentos avaliativos para classificar os alunos entre bons e maus, separando-os em grupos e excluindo alguns que podem ter maiores dificuldades de aprendizagem, ou um ritmo mais lento. Isso sem falar na punição: a prova, por exemplo, sempre foi encarada como um castigo, uma forma de mensurar o quão útil cada aluno seria. Por vezes, o risco de desconto de pontos ameaçavam toda a turma. Na educação tradicional, aluno bom é aquele que rende rápido.

Mas essa realidade, felizmente, vem sendo desconstruída em nossas escolas pouco a pouco. Se antes o foco era no ensinar, a pedagogia moderna dá foco para o aprender. A chamada avaliação formativa (termo citado pela primeira vez no livro “Medotologia da Avaliação”, publicado em 1967 pelo americano Michael Scriven) tem ganhado cada vez mais espaço em nossas escolas e baseia-se em parágrafos da própria LDB, que estabelece que a avaliação deve ser continua e cumulativa e priorizar a aprendizagem e seu processo, assim como a qualidade de ensino. Ainda segundo a lei, os resultados ao longo do ano devem ser levados em conta, e não somente a média final do aluno (artigo 24, parágrafo V).

A avaliação formativa não se baseia em médias para avaliar o aluno. Não prevê punições para os que tiverem baixo rendimento. Pelo contrário, ela estimula os que não tiverem um bom rendimento a procurar as suas reais dificuldades e trabalhar lado a lado com o professor, para conseguir superá-las. É um tipo de avaliação que reconhece os diferentes ritmos de aprendizagem e incentiva o professor a diversificar o agrupamento da turma, como forma de melhor trabalhá-los.

Como aplicar novos métodos de avaliação nas escolas

Para que uma mudança na forma de avaliação seja possível, é necessário um empenho do corpo docente, pais e gestores da escola. A avaliação formativa já está amparada por lei, portanto, o professor que desejar aplicá-la à sua realidade em sala de aula deve receber apoio das outras partes.

É necessária uma conscientização dos responsáveis pela gestão escolar, para que os métodos quantitativos percam cada vez mais espaço para a avaliação formativa, que é mais humanitária e trabalha o individual, ao invés do grupo.

A mudança de postura é um processo demorado pois faz com que mudanças na base da sociedade sejam feitas. Com uma escola que avalia de forma mais orgânica, sem os duros e fechados métodos de provas e testes escritos, tem-se uma sociedade em que todos tem o direito de aprender. E isso pode levar algum tempo para que se torne realidade.

É importante que o professor que deseja aplicar a avaliação formativa em suas classes, tenha a postura de conscientizar toda a comunidade escolar sobre os seus benefícios. Negociar porcentagens para a livre avaliação é um dos métodos de começar a demonstrar os resultados de uma postura avaliativa diferente. Aos poucos, os gestores e até mesmo os pais, poderão perceber o potencial do novo método.

Novos métodos

A avaliação formativa baseia-se em conhecer cada aluno de forma particular, de modo a trabalhar melhor as suas dificuldades e estimular os seus potenciais. Para que isso seja necessário, o trabalho deve ser feito em diferentes etapas:

  • Conheça o histórico dos alunos: a maioria dos professores não chega a olhar o histórico dos seus alunos. Lá são encontradas informações importantes sobre cada indivíduo. Antes do começo do ano, na época de planejamento, deve-se gastar um tempo lendo o histórico das turmas. Assim, o relacionamento durante o ano letivo será muito mais íntimo.
  • Faça entrevistas: ainda antes do começo do ano letivo, pode ser válido entrevistar alguns alunos ou pais que tenham um histórico instigante. É uma forma de se aproximar da história de cada um.
  • Tenha uma agenda: cada aluno deve ter uma folha. É válido também pedir fotos à secretaria escolar, para que cada aluno tenha uma identidade própria na sua própria página. Ali, anote questões relevantes vistas no histórico e suas observações diárias durante as aulas. É importante separar uma folha para também avaliar a turma como um grupo.
  • Faça auto avaliações: o aluno que escreve sobre si mesmo tem muito mais possibilidades de se expressar. Peça para que coloquem no papel as suas dificuldades e as expectativas. Peça também a sua avaliação. Um feedback de quem está do outro lado pode ser útil para melhorar a sua prática educacional.
  • Varie as avaliações: depois do acompanhamento prévio e da análise da turma, está na hora de pôr em prática diferentes métodos avaliativos. Orienta-se fugir do tradicional teste escrito. Valem avaliações orais, acompanhamento das evoluções, trabalhos em grupo. O importante é que todos os alunos se sintam incentivados e motivados.

Diferentes avaliações, para diferentes fins

Muitos podem pensar que a avaliação formativa é uma “oposição” à avaliação tradicional, também chamada de somativa ou classificatória. E alguns podem acreditar que não há mais espaço para a avaliação tradicional. Mas a verdade é que o melhor cenário é aquele onde os dois tipos de avaliação estejam unidos. Propor uma distribuição de 50% para cada tipo de avaliação, pode ser uma forma de incluir todos os alunos, inclusive os que ainda se adaptam melhor aos testes escritos.

Outro cuidado é o foco do público. Se estiver lidando com uma turma de preparatório para vestibular ou concursos, a avaliação somatória é a mais indicada, pois essas provas ainda são classificatórias. Mas se estiver lidando com o cotidiano escolar prefira incluir aos poucos a avaliação formativa. Os resultados serão com certeza surpreendentes.


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