A polêmica do ENEM

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Quando falamos sobre o ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio, imediatamente se instala uma polêmica sobre sua real aplicação, interesses que estariam envolvidos e até mesmo sobre sua qualidade enquanto ferramenta de aferição e validade.

Criado em 1998 com o objetivo inicial de avaliar o grau de qualidade do Ensino Médio, rapidamente tornou-se não apenas a maior avaliação do Brasil (reconhecida como recorde), mas também e mais recentemente um novo critério (total ou parcial) para que o aluno possa ingressar no Ensino Superior através do SISU (Sistema de Seleção Unificada) ou ainda ser beneficiado com bolsas de estudo integrais ou parciais através do PROUNI (Programa Universidade para Todos).

Além de erros graves que foram cometidos nas primeiras edições do ENEM, esta importante ferramenta adquiriu maior grau de polêmica quando seu resultado foi extrapolado para avaliar também o resultado dos Colégios no Brasil, e dessa forma, tornar-se uma importante ferramenta para divulgação de Marketing.

O raciocínio que está por trás da busca das maiores notas para os colégios é simples: se determinada instituição possui uma nota maior, então pode ser considerada melhor porque propiciará maiores oportunidades de ingresso nas faculdades públicas bem como financiamento através de bolsas nas faculdades particulares.

Em alguns anos, instituições de ensino foram descredenciadas ou tiveram suas notas rebaixadas nos exames do ENEM por praticarem estímulos e desestímulos aos melhores e piores alunos na participação do exame. Em outros casos, a desclassificação deveu-se ao cadastramento dos melhores alunos de um grupo educacional sob uma determinada filial do tipo “sede”, acarretando numa classificação superior falsa. E no caso mais absurdo de todos, num dos primeiros exames, um colégio que havia participado do teste técnico do exame recebeu a mesma avaliação – e foi muito bem classificado e depois rebaixado no ranqueamento.

Há questões paralelas a serem observadas. Grupos empresariais maiores talvez tenham maiores chances de obter melhores resultados do que os menores, ao passo que as instituições com menor número de alunos poderiam propiciar uma educação mais personalizada. Há a questão das instituições públicas versus as privadas e muitos outros aspectos a se considerar.

Talvez toda esta onda polêmica pudesse ser desviada de foco ao se observar o que ocorre em outros países: lá, tais exames existem há quase um século, e servem não apenas para qualificar os melhores alunos nas melhores instituições, como também para auferir sua qualidade. E tais resultados são sim utilizados como instrumento de propaganda. Nada mais natural. Talvez o foco aqui no Brasil devesse ser entender que é necessária uma avaliação única por tais motivos, que esta avaliação já está implantada, é oficial e é utilizada para os fins para os quais foi criada. Afinal, se existem problemas no ENEM, devemos corrigi-los, mas não o suprimir. Seria o mesmo que quebrar o termômetro para não enxergar o grau de febre.


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